O QUE É A "VERDADE"?

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28 de jun de 2015

  • Teologia Romântica: uma brevíssima introdução


    Por Gutierres Fernandes Siqueira

    “Quem não sente aqui e ali com a convicção viva que um espírito divino o movimenta, e que ele fala e age de acordo com a inspiração sagrada; quem pelo menos não tem consciência de que os sentimentos resultam das ações diretas do universo não tem religião alguma”. (Friedrich Schleiermacher [1])

    Na Parada do Orgulho Gay deste ano, em São Paulo, um grupo de evangélicos levantou cartazes com dizeres “Jesus cura a homofobia”.  Naquela mesma semana um pastor carioca, numa cerimônia de lava-pés, limpou umbandistas, travestis e outros que “sofrem com o preconceito dos evangélicos”. Neste último fim de semana outros evangélicos, da chamada linha progressista, celebraram a aprovação do casamento gay pela Suprema Corte norte-americana e colocaram hashtags com a expressão “o amor vence”. Aliás, esse é o mesmo título de um livro teológico cuja mensagem evasiva insinua a defesa do universalismo, ou seja, a crença que no final das contas todos serão salvos [2]. E, para completar, nessa última semana um famoso pastor deu uma entrevista onde era claro o esforço daquele líder evangélico por rezar na cartilha da correção política.


    Ora, o que une todas essas pessoas? O fundamentalista protestante logo dirá: “é o liberalismo teológico que os une.” Todavia, a pressa típica do fundamentalismo em jogar tudo no colo do chamado liberalismo teológico torna a visão do cenário enevoada.  Não, não se trata de liberalismo teológico. É algo bem mais profundo. Há uma linha que, na verdade, une muitos evangélicos ortodoxos, neo-ortodoxos e liberais, além, é claro, dos próprios secularistas: é o que chamo de Teologia Romântica.

    Antes de tudo, esqueça o termo romântico do senso comum. Quando uso a qualificação “romântica” quero dizer:

    O movimento intelectual e artístico ocidental que, a partir do final do século XVIII, fez prevalecerem, como princípios estéticos, o sentimento sobre a razão, a imaginação sobre o espírito crítico, a originalidade subjetiva sobre as regras estabelecidas pelo Classicismo, as tradições históricas e nacionais sobre os modelos da Antiguidade e a imaginação sobre o racional, na literatura, na música, nas belas-artes e em outras manifestações intelectuais. [Dicionário Houaiss]

    Conheço muitos românticos teológicos que crêem no Credo Apostólico e outros que desprezam até a crença na divindade de Cristo. Portanto, o Romantismo teológico transcende a barreira entre ortodoxia e heterodoxia. Na verdade, em último grau, o Romantismo é uma escala heterodoxa que possui inúmeras camadas (da mesma aberta à fechada) com um único eixo: o endeusamento do sentimento. No Romantismo literário e filosófico o sentimento é o valor preponderante e o mesmo se dá na proposta teológica. Estudar e entender a influência do Romantismo é mais importante, pelos motivos listados acima, do que resistir automaticamente ao liberalismo teológico, logo porque a teologia moderna é apenas uma das filhas do Romantismo.
    Como lembra Isaiah Berlin o Romantismo é o grande movimento ocidental dos últimos séculos:

    A importância do Romantismo é ter sido o maior movimento recente que transformou a vida e o pensamento do mundo ocidental. Creio ser ele a maior mudança já ocorrida na consciência do Ocidente, e todas as outras mudanças que aconteceram ao longo dos séculos XIX e XX me parecem, em comparação, menos importantes e, de todo modo, profundamente influenciadas por ele. [3]

    E quando falamos de Romantismo na teologia é impossível não se lembrar de Friedrich Schleiermacher. Schleiermacher não é só o pai da teologia liberal, mas talvez seja o maior expoente da teologia Romântica. E a influência desse alemão vai além dos liberais do século XIX. Há muitos evangélicos românticos em graus variados ao de Schleiermacher.

    E, é isso que veremos numa série de artigos sobre o assunto. Acompanhe e entenda melhor esse tempo conturbado que atravessamos.

    Referências Bibliográficas:

    [1] SAFRANSKI, Rüdiger. Romantismo: uma Questão Alemã. 1 ed. São Paulo: Estação Liberdade, 2010. p 135.

    [2] BELL, Rob. O Amor Vence. 1 ed. São Paulo: Sextante, 2012. p 168.

    [3] BERLIN, Isaiah. As Raízes do Romantismo. 1 ed. São Paulo: Editora Três, 2015. p 24.


  • Gilmar acusa OAB de ser laranja do PT e entidades reagem em nota


    A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), presidida por Marcus Vinícius Furtado Coêlho, reagiu com firmeza e rapidez à entrevista concedida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, ao Brasil 247. Nela, Gilmar afirmou que a OAB foi "laranja do PT", ao propor uma ação direta de inconstitucionalidade contra o financiamento empresarial de campanhas políticas.


    Gilmar acusa OAB de ser laranja do PT; entidades reagem em notaGilmar acusa OAB de ser laranja do PT; entidades reagem em nota
    "Essa afirmação descabida e desrespeitosa não está à altura da liturgia e educação que se aguarda de um dos membros do STF", diz o texto da OAB.

    Com a língua afiada, Gilmar Mendes concedeu uma entrevista ao Brasil 247, nesta quarta-feira (3), para questionar a tese de que seria contra doações de pessoas físicas às campanhas políticas, porque isso favoreceria partidos de esquerda, que contam com uma militância mais organizada. "Não sou contra doações de pessoas físicas. Agora, do jeito que essa questão estava sendo colocada, numa ação que proíbe doações de empresas e permite apenas de pessoas físicas, iríamos criar um grande laranjal no país", afirmou.

    Acusações
    Segundo Gilmar, milhares de pessoas iriam emprestar seus CPFs para que partidos usassem seus nomes como doadores. Questionado sobre o eventual absurdo da tese, de uma fraude em massa do processo eleitoral, ele foi enfático. "Suspeito, não. Tenho certeza de que isso aconteceria. Você acha que as cooperativas de trabalhadores não arrumariam milhares de doadores? Que a turma do Stédile (referindo-se ao líder do MST, João Pedro Stédile) não faria o mesmo?"

    O ministro defende as doações de pessoas físicas, mas com limites rígidos e compatíveis com a renda dos doadores. "Não faz sentido que o 'Zé das Couves' possa doar o mesmo que o Antonio Ermírio de Moraes [ex-presidente do grupo Votorantim, já falecido]", diz ele. Ele lembra, ainda, que a campanha presidencial do PT, em 2014, arrecadou R$ 380 milhões, dos quais apenas R$ 800 mil vieram de pessoas físicas. "Não temos essa tradição. Além disso, se já inventaram o mensalão e o petrolão, a próxima mágica seria essa. Como já têm o dinheiro, fruto da corrupcão, só precisariam encontrar os doadores", disse.

    Gilmar disse que ação contra as doações empresariais, apresentada pela Ordem dos Advogados do Brasil, atende a interesses do Partido dos Trabalhadores. "A OAB, na prática, foi laranja do PT", disse o ministro. 

    Confira, abaixo, a íntegra:
    "A OAB exige respeito do ministro Gilmar Mendes. Essa afirmação descabida e desrespeitosa não está à altura da liturgia e educação que se aguarda de um dos membros do STF (Supremo Tribunal Federal).

    Com a declaração o ministro atinge não somente a OAB, mas também os seis ministros do Supremo que votaram a favor da ação que discute o financiamento de empresas nas eleições.

    Seriam os seis ministros laranjas?

    A ação da Ordem dos Advogados do Brasil foi proposta em 2011, há 4 anos, subscrita pelo então presidente Ophir Cavalcante, que sempre manteve equidistância dos partidos políticos, postura de todos os presidentes da OAB".


    Marcus Vinícius Furtado Coêlho, presidente da OAB Nacional. 
    Respeito
    Além da nota do presidente da entidade, Marcus Vinícius Furtado Coêlho, que cobrou "respeito" de Gilmar, o Colégio de Presidentes das Seccionais da OAB também se manifestou por meio de nota. Leia abaixo:

    O colégio de Presidentes de Seccionais vem reiterar a resposta já apresentada pela OAB Nacional em relação à ofensa perpetrada pelo ministro Gilmar Mendes contra nossa instituição.

    A OAB possui 85 anos de credibilidade e sempre respeitou todos os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

    Entendemos que, numa sociedade democrática, deve se haver o direto de discordar. O pluralismo é um princípio constitucional.

    Contudo, a educação e o alto nível do debate de ideias se impõe. Lamentamos que, em processos naturais de uma democracia, busque-se a desqualificação de instituições como estratégia para se vencer um debate de argumentos.

    O que a sociedade aguarda do ministro Gilmar Mendes é seu o voto no julgamento que discute o financiamento de empresas nas eleições.

    É dever do ministro manifestar-se nos autos, não através de comentários caluniosos na imprensa.

    Como costuma pronunciar o presidente nacional de nossa entidade, Marcus Vinícius Furtado Coêlho, o único partido da OAB é a Constituição da República e nossa ideologia é o Estado Democrático de Direito.
    Colégio de Presidentes das Seccionais da OAB 
    Para o deputado Wadih Damous (PT-RJ), ex-presidente da OAB-RJ, Gilmar "extrapolou todos os limites" e age com desrespeito contra a sociedade, que reconhece o papel da entidade na luta pela democracia e pelos direitos da população, e também por até o momento não ter concedido seu voto e permitido a conclusão do julgamento da Adin.

    O parlamentar disse ainda que "o ministro desrespeita a Lei Orgânica da Magistratura (Loman) constantemente ao se pronunciar sobre processos que julga". "Se fosse em outro país, já teria sofrido processo de impeachment", afirmou. "O ministro Mendes desrespeita toda a sociedade brasileira, ele é useiro e vezeiro em pronunciar-se sobre processos que estão sob sua análise e tem um destempero verbal inaceitável para o cargo que ocupa", completou.

    A deputada Margarida Salomão (PT-MG) chamou as declarações de Gilmar Mendes de "pura grosseria, ultrajantes e um acinte à história", uma vez que, segundo ela, o ministro ignorou o papel histórico da OAB na construção da democracia no Brasil. "Ataques grosseiros geram reações simétricas, então, perguntamos: o ministro Gilmar Mendes é laranja de quem?", perguntou a deputada.


    Fonte: Brasil 247
  • 21 de jun de 2015

  • Inteligência do Exército passa a proteger o juiz Sergio Moro responsável pela operação Lava-Jato


    Nota:

    O EXÉRCITO ASSUMIU A SEGURANCA DO JUIZ SERGIO MORO PELA ABIN.
    MOROSAMENTE, MAS IMPLACAVELMENTE, A JUSTIÇA ESTA PRESTES A ATINGIR O CHEFE LULA; (...)TEME-SE PELA VIDA DO JUIZ SERGIO, PELO " MODUS OPERANDI" DOS CORRÚPTOS...
    .

    Exclusivo - O Exército escalou seus mais confiáveis e melhores oficiais de inteligência, lotados na Abin, para dar proteção ao juiz Sergio Moro  responsável pela operação Lava-Jato. Ao montar esquema especial para dar segurança a Sergio Moro – que sempre foi avesso a isto -, empregando seus homens lotados na Agência Brasileira de Inteligência, o EB atropelou o Palácio do Planalto e a cúpula da Polícia Federal ligada aos esquemas petralhas de poder.

    Leia também: Sergio Moro o juiz que sacode o Brasil

    Só que de agentes da Polícia Federal – e não da turma verde-oliva lotada na Abin. A proteção a Sergio Moro não é só física. Tudo que se fala dele e sobre ele, nos ambientes de poder, também é monitorado. Além disso, todo o sistema telefônico da residência e de seu gabinete foi alterado e passa por uma constante ação de pente fino.

    A iniciativa de proteger Sergio Moro tão intensamente gera uma crise. A Presidenta Dilma Rousseff, como Comandante-em-chefe das Forças Armadas, sequer foi consultada sobre a medida. A blindagem ao Sergio Moro foi decidida entre alguns integrantes do Alto Comando do Exército e o General José Elito, do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. Aumentará em muito a guerra não-declarada e a insatisfação pessoal mútua entre Dilma e seu ministro Elito.

    No fundo, a proteção especial a Sergio Moro é mais uma operação montada pela chamada “Comunidade de Informações” que sempre tenta agir de forma invisível – embora quase sempre não consiga em uma Brasília cercada de ouvidos eletrônicos em todos os buracos do poder. Em tempos passados, tal comunidade era famosa por vigiar e detonar a esquerda explicitamente. A turma do SNI botava medo. A turma da Abin ligada ao EB – onde a petralhada ainda não conseguiu se infiltrar explicitamente – tenta ser mais “light”. 


    Agora, pelo menos no reservado discurso da comunidade de informações, a ordem é não contribuir para ampliar um vácuo institucional que se desenha com o resultado da operação que tá mostrando desvios de bilhões da Petrobras – que deve atingir em cheio a cúpula petralha, ainda com consequências imprevisíveis de um respingo escatológico no mito Luiz Inácio Lula da Silva (que ainda alimenta o sonho de voltar à Presidência da República em 2018).

    A tensão entre Dilma e a caserna pode aumentar ainda mais com outro escândalo nos correios e o da petrobras. Já era enorme por causa da Comissão da Verdade que tomou a decisão fora da lei de perseguir os agentes do Estado acusados de cometer crimes apenas na Era pós-1964. Apoiada por Dilma, a CV quebrou um acordo firmado com os militares, costurado quando Nelson Jobim era ministro da Defesa, de que os crimes de sequestro, terrorismo e assassinato cometidos pelos militantes de esquerda também seriam investigados.

    Alguns Generais já se sentem traídos por Dilma. Mas se a traição vai gerar consequências institucionais é um desdobramento imprevisível. A cúpula militar na ativa é publicamente contrária a qualquer virada de mesa. Se os Generais pensam, sinceramente, da mesma forma, na intimidade, são outros quinhentos batalhões. Dilma e seus radicalóides estão provocando a onça com varinha curta.

    Além disso, com o próprio Ministério da Defesa, a cúpula militar nunca se sentiu satisfeita por ficar simbolicamente subordinada ao ministro Celso Amorim que foi assessor-especial de José Genoíno – ex-guerrilheiro da luta armada pós-64 e condenado no processo do Mensalão em que o agora protegido Sergio Moro brilha como “grande herói” da República. Na ironia, os militares sõ não têm mais bronca do PT porque alegam que ele entregou, sem qualquer tortura, todos os seus companheiros na Guerrilha do Araguaia...

    Indo de uma cachorrice a outra cachorrada, a inteligência militar teme que a petralhada arme ilegalidades para obstruir as investigações da Petrobras. A mais previsível já se tornou pública e, se acontecer, pode ser a senha para a abertura da portinha do vácuo institucional: que o novo ministro do STF, Teori Zavascki, indicado pelo ex-marido de Dilma Rousseff, tome posse e cometa a imprudência de pedir que o processo seja repassado ao STF onde praticamente todos os indicados são do PT. Se tal manobra embromatória for adotada, vai atrasar as investigações e pode até acabar em mais uma pizza no país da impunidade....

    VEJA TAMBÉM: Cientistas provam que o mar não foi aberto e que Israel passou na parte rasa do mar



    A leitura de nossa conjuntura atual é bem simples e roceira. A vaca já está no brejo. Se o Boi vai também... Aí são outros R$ 350 bilhões de reais desviados e divididos pelos bandidos no esquema da Petrobras. Na avaliação mais tímida da comunidade de informações – que protege O juiz Sergio Moro e também vigia, cuidadosamente, todos os prováveis condenados na Ação Penal 470 -, o ex-presidente Lula da Silva teria pelo menos 35 milhões de motivos concretos para se preocupar – e muito – com as consequências de ter tantos companheiros e parceiros vendo o sol nascer quadrado...

    Enquanto o mito Lula pode se desmantelar entre os segmentos esclarecidos (ou entre os menos ignorantes), o mito de juiz Sergio Moro começa a ser construído e lapidado e pode se juntar ao já Mito Joaquim Barbosa que foi considerado o herói no julgamento do Mensalão. Resta aguardar para saber quem será beneficiado com a demolição de um e a edificação de outro. Enquanto isto, os militares ficam iguaizinhos àquele papagaio verde-oliva da piada do português. Nada falam... Mas prestam uma atenção...

    “E sabem de absolutamente tudo que acontece no Brasil” – como fez questão de ressaltar um quatro estrelas numa certa noite estrelada de um jantar fechadíssimo na caserna, com todo mundo vestindo a pós-moderna farda de civil sem gravata - exceto o coronel da inteligência e das Forças Especiais, trajado feito um Rambo, para garantir a proteção na porta do salão...

    O perigo é que aqueles que fingem não saber de nada continuam agindo no submundo do Governo do Crime Organizado... Até quando? Nem Deus deve saber mais... Ou será o juiz Sergio Moro(um dos Deuses e agora um togado blindado pelas fardas da inteligência) sabe?

    Se souber, conta que a gente divulga por aqui... Até porque, neste mundo pontocom, nem a identidade do pobre do Batman é mais secreta... O verdadeiro endereço da Batcaverna, talvez...


  • 20 de jun de 2015

  • Sergio Moro: O juiz que sacode o Brasil

    Sergio Moro é um dos nomes mais comentados do país desde que prendeu executivos


    O juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato. / FÁBIO MOTTA (AE)
    No topo do caso Petrobras, que investiga o possível desvio organizado de mais de 9 bilhões de reais e está abalando as estruturas institucionais do Brasil, está um juiz federal de 42 anos: Sergio Moro, considerado um dos maiores especialistas em lavagem de dinheiro do país (senão o maior). No último dia 14, ao assinar umaordem de prisão contra 21 dos membros mais ricos e poderosos doestablishment empresarial, ele se tornou também uma das personalidades mais respeitadas e comentadas do país.

    Leia também: LULA diz a aliados que será próximo alvo do juiz Moro e diz que Dilma não está fazendo nada.

    Nas ruas de Curitiba, onde o escritório de Sergio Moro centraliza as investigações da Operação Lava Jato, o magistrado já é uma figura popular. “Ele é um juiz com impulso, não se detém diante de nada”, afirma o diretor de uma importante emissora local que tenta dissimular seu entusiasmo. Outros jornalistas intervêm para elogiar seu “sentido de justiça”. A crescente reputação de Moro intimida até os advogados de defesa dos 13 empresários ainda presos. “Ele tem muito respaldo na Justiça Federal”, reconhece Pedro Henrique Xavier, advogado da importante construtora Galvão Engenharia SA. Na delegacia da Polícia Federal onde dividem a cela e prestam depoimentos os milionários detidos, os letrados reclamam diariamente porque seus clientes ainda não abandonaram a cadeia. No entanto, seus pedidos dehabeas corpus (contra prisões arbitrárias) são sistematicamente negados por outros magistrados. “Ele é um juiz metódico e com muita iniciativa”, admite outro advogado durante um recesso.
    Pouco se sabe sobre a vida privada de Sergio Moro que, apesar da sua juventude, é um dos três candidatos a ocupar o lugar deixado por Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal (a máxima autoridade judicial do país) este ano. Casado e com dois filhos, apaixonado por ciclismo, Moro nasceu na cidade paranaense de Maringá, onde estudou direito antes de completar a sua formação na Universidade de Harvard (EUA). Doutor em Direito, juiz desde 1996 e também professor universitário, Moro se especializou em crimes financeiros e cursou um mestrado prático no caso Banestado, um processo judicial desenvolvido entre 2003 e 2007, que levou à condenação de 97 pessoas pelo envio ilegais de divisas ao exterior de vários bancos brasileiros. Um dos condenados foi outro cidadão paranaense chamado Alberto Youssef, doleiro de profissão, transformado hoje um elo crucial no caso da Petrobras.
    Existe unanimidade de que o caso Banestado foi o passo final na formação de um juiz “justiceiro”, na opinião de uma fonte policial, que também alcançou alguma reputação acadêmica: seu livro Crimes de Lavagem de Dinheiro (2011) é uma referência nacional na área. Moro colaborou inclusive com a juíza Rosa Weber na fase final do caso mensalão, na época o maior caso de corrupção da história moderna do Brasil. Por tudo isso, a Assembleia Legislativa do estado do Paraná prepara-se para conceder o título de Cidadão Ilustre ao juiz.

    A crescente reputação do juiz Sérgio Moro intimida até advogados de defesa de empresários ainda presos
    Adjetivos coletados em várias conversas informais com agentes, advogados e estudantes de Curitiba permitem ver um perfil de juiz teimoso, reservado, técnico, frio (embora educado), extremamente competente, razoavelmente distante dos olhares da imprensa e sem medo de enfrentar figurões. Apesar das críticas feitas pelos advogados dos empresários, atua com cautela: na semana passada, quando a Polícia Federal relacionou José Carlos Cosenzo, atual diretor de Abastecimento da Petrobras, com a corrupção, Moro exigiu provas. Horas mais tarde, a pedido do juiz, a polícia enviou uma nota oficial admitindo o “erro” da menção de Cosenzo, que foi amplamente distribuído pela Petrobras.
    O expediente Lava Jato cresce à medida que mais acusados (nove, por enquanto) são adicionados ao esquema das delações premiadas, o que espalha o pânico entre empreiteiros, políticos, diretores da Petrobras e até mesmo banqueiros. O trabalho de Sérgio Moro, de qualquer maneira, tem uma data de validade: o indiciamento provável de políticos (como reconhece abertamente um fiscal relacionado com o caso). É um segredo bem conhecido que a Polícia Federal está tentando atrasar a imputação de políticos (com foro privilegiado), pois implicaria a imediata transferência do caso para o Supremo Tribunal Federal, localizado em Brasília. “Moro vai seguir o rastro do dinheiro, não importa quem atingir”, insiste outro promotor que prefere o anonimato. “O resto não depende mais dele.”
    Esta manobra levou a muitas críticas mais menos explícitas deopinólogos e advogados. Os ataques somam-se às censuras feitas por funcionários do PT durante a recente campanha eleitoral por supostos vazamentos com interesses eleitorais. O advogado Alberto Zacharias Toron da construtora UTC argumenta que Moro incorre em uma forma de “extorsão de confissões e delações [...] Quem colabora é liberado. Quem não cooperar tem a prisão preventiva decretada”. Os escritórios de advocacia mais exclusivos do Brasil estão esperando que o juiz cometa um erro grave o suficiente para impedir ou alterar uma causa “que recai sobre a forma de atuação das elites brasileiras”, observa o analista Adriano Pires: “O sistemático de superfaturamento e subornos”.
    Em seu já famoso mandado de prisão do último dia 14, o juiz se referia às declarações da presidenta, Dilma Rousseff, e seu adversário do PSDB-MG, o senador Aécio Neves, que durante a disputa eleitoral defenderam a continuidade da investigação. Sergio Moro escreveu: “As chamadas provenientes de duas das principais autoridades políticas do país, localizadas em campos políticos opostos, confirmam a necessidade de resposta institucional imediata para interromper o ciclo delitivo descoberto pelas investigações criminais, tornando inevitável o remédio amargo, isto é, a prisão preventiva.” Para muitos um herói, para outros um “justiceiro” incômodo, ninguém dúvida já que o juiz Sérgio Moro poderia mudar para sempre o futuro do Brasil a partir de um escritório em Curitiba.

    Leia ainda: INTELIGÊNCIA DO EXÉRCITO PASSA A PROTEGER O JUIZ SERGIO MORO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO LAVA-JATO
  • Esta é a ‪Democracia‬ chinesa: Transformando chineses em doentes mentais para manter a estabilidade


    Um doente mental, na cama, com os braços e pernas atadas. Hospital Psiquiátrico de Anxian, província de Sichuan, na China.
    Um doente mental, na cama, com os braços e pernas atadas. Hospital Psiquiátrico de Anxian, província de Sichuan, na China (China Photos / Getty Images)
    Justamente quando o regime chinês dá tapinhas nas costas de si mesmo por considerar que grandes avanços em matéria de direitos humanos foram feitos na China no ano passado, vêm à tona relatórios detalhados que mostram que, na China, dissidentes e presos de consciência continuam a ser encarcerados em estabelecimentos de saúde mental.
    “Qiao Zhongling, idoso ativista pró-democracia, viveu encarcerado em diferentes hospitais psiquiátricos ao longo dos últimos cinco anos”, segundo a emissora sem fins lucrativos Radio Free Asia (RFA), citando o psiquiatra Ma Jinchun, que conhece o caso de Qiao Zhongling.
    Qiao, 70 anos, foi rotulado de “contrarrevolucionário” durante o tumultuado período da Revolução Cultural (1967-1977) e, mais tarde, se uniu ao movimento Paredes da Democracia e começou o Fórum Shanghai Democracia em 1978. Por causa disso, Qiao acabou condenado à prisão e permaneceu preso durante três anos, e depois de ser libertado, ficou sob vigilância policial.
    A revista Open Magazine, com sede em Hong Kong, disse que Qiao foi a Hong Kong em 2001 para discutir a publicação de um livro e, quando voltou para a China, nunca mais ninguém teve notícias sobre o paradeiro de Qiao, de acordo com a Radio France Internationale.
    Jin Zhong, editor-chefe da revista Open Magazine, disse à Radio Free Asia que informações recentes do psiquiatra Ma Jinchun lançam luz sobre o destino de Qiao Zhongling.
    Ma Jinchun, que foi designado para cuidar de Qiao em seu último confinamento em hospital psiquiátrico, percebeu que seu paciente não tinha nenhum problema mental e levou isso ao conhecimento da administração do hospital, disse Jin Zhong.
    “Eles estavam impondo tratamento à força a Qiao, como se ele tivesse realmente doença mental”, disse Jin Zhong à Radio Free Asia. “Os medicamentos afetaram seu cérebro e também tiveram efeito negativo sobre as artérias”.
    Mas a administração do hospital disse a Ma Jinchun que não podiam fazer nada no caso de Qiao. Qiao foi levado do local pela polícia, que disse que o hospital não devia se “envolver”.
    Ma Jinchun decidiu contornar o sistema de controle e censura do regime chinês sobre a Internet, o Grande Firewall, para obter mais informações sobre Qiao. Ma descobriu vários casos semelhantes ao de Qiao em sua busca na Internet a sites não bloqueados pelo regime chinês.
    Em pouco tempo, o psiquiatra Ma “percebeu que Qiao Zhongling era vítima de perseguição”, disse Jin Zhong da Open Magazine.
    Saúde e paz
    Os hospitais psiquiátricos da China são chamados em chinês de “ankang”, que pode ser traduzido como local de “saúde e paz”. Mas essas instalações médicas têm a reputação de não trazerem nada de saúde ou paz para dissidentes e prisioneiros de consciência – como ativistas pró-democracia, dissidentes e praticantes de Falun Gong –, nelas encarcerados.
    As vítimas geralmente são detidas por policiais e confinadas à força nesses “ankang” sem o consentimento da família – ato considerado ilegal de acordo com a lei de 2013 sobre saúde mental na China.
    Uma vez confinados em hospitais psiquiátricos, os ativistas de direitos, dissidentes e prisioneiros de consciência são submetidos a drogas psiquiátricas, que danificam seus sistemas nervosos e dão origem a sintomas como insuficiência cardíaca, perda de memória e, nos piores casos, paralisia, doenças mentais reais ou morte.
    A medicação dada a Qiao “afetou suas funções cerebrais e está causando mais dano do que espancamentos causariam”, disse Jin Zhong para a Radio Free Asia. Se o “tratamento” de Qiao continuar, disse o psiquiatra Ma Jinchun preocupado, “ele vai morrer”.
    O psiquiatra Ma Jinchun teme o pior.
    Muitos praticantes de Falun Gong – tradicional disciplina espiritual chinesa baseada em meditação e princípios morais – que foram confinados em instituições psiquiátricas depois de o regime chinês ter iniciado uma gigantesca perseguição contra Falun Gong em 1999, sofreram grave perda de memória e acabaram paralisados. Num dos casos, o praticante de Falun Gong, Liang Zhiqin, depois de receber injeções com drogas psiquiátricas, teve insuficiência cardíaca, entrou em choque duas vezes e faleceu em 2009.
    Direitos Humanos?
    “As recentes grandes conquistas que a China fez com seus esforços no campo dos direitos humanos demonstram plenamente que ela está no caminho correto”, disse o regime chinês ao falar sobre seu histórico de direitos humanos no ano passado. O regime está comprometido a manter os “direitos fundamentais” e “valores universais” de seu povo, entre outras coisas, disse o regime.
    No entanto, relatórios sobre detenção psiquiátrica forçada de grupos de direitos humanos mostram exatamente o oposto.
    Um mês atrás, a organização sem fins lucrativos Defensores dos Direitos Humanos dos Chineses (CHRD), com base nos EUA, revelou sete casos conhecidos de detenção psiquiátrica forçada nos últimos seis meses, inclusive uma em que o filho de um peticionário, como ato de retaliação do governo contra o peticionário, foi levado para uma instituição psiquiátrica.
    As autoridades chinesas “veem no confinamento psiquiátrico forçado uma alternativa conveniente para restringir a liberdade de cidadãos considerados problemáticos” pelo regime chinês.
    Em janeiro, o grupo de direitos humanos Direitos Civis e Modo de Vida disse em relatório que o regime chinês está cada vez mais enviando, sem julgamento, grupos-alvo para hospitais psiquiátricos. O fundador desse grupo, Liu Feiyue, disse que transformar pessoas em “doentes mentais” “jamais deveria ser usado como ferramenta para manter a estabilidade” na China.

  • 17 de jun de 2015

  • Peça encontrada em Israel traz inscrição do tempo do rei David


    Jarro de 3 mil anos é encontrado com nome de rei judeu

    Peça encontrada em Israel traz inscrição do tempo do rei David, da passagem bíblica David e Golias



    Arqueólogos israelenses descobriram e recuperaram os pedaços de uma vasilha de 3 mil anos com uma inscrição da época do bíblico rei David, em uma jazida no Vale do Elah, informou a Autoridade de Antiguidades de Israel nesta terça-feira (16).

    Trata-se da quarta inscrição deste tipo descoberta até o momento, que data do século X a.C., no Reino da Judéia. Os pedaços do recipiente de argila foram localizados em 2012, em escavações em Khirbet Qeiyafa, no Vale do Elah, próximo à cidade israelense de Beit Shemesh e onde, segundo o relato bíblico, aconteceu a mítica batalha entre David e Golias.
    Nos fragmentos foram descobertas inscrições que despertaram a curiosidade dos pesquisadores, Yosef Garfinkel, do Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém, e Saar Ganor, da Autoridade de Antiguidades de Israel. Ao recuperar os pedaços, os arqueólogos encontraram o nome de Eshbaal Ben Beda em letra antiga. "Trata-se da primeira vez que aparece o nome Eshbaal em uma inscrição antiga no país. Eshbaal Ben Shaul, que governou Israel na mesma época que David, é citado pela Bíblia", afirmou Garfinkel. Ele acrescentou que o dirigente foi "assassinado e decapitado e sua cabeça levada a David em Hebron".
    "É interessante destacar que o nome Eshbaal aparece na Bíblia, e agora também em um documento arqueológico. Este nome só foi usado durante a era do rei David. O nome Beda é único e não aparece em inscrições antigas ou na tradição bíblica", reforçou.
    Os pesquisadores salientaram que a descoberta de inscrições dos dias do mítico rei hebraico é um fenômeno muito recente. Conforme contaram, duas delas foram descobertas em Khirbet Qeiyafa, outra em Jerusalém e outra em Beit Shemesh. "Há uns cinco anos, não conhecíamos nenhuma inscrição datada no século X a.C. do Reino da Judéia. Isto muda totalmente nosso entendimento da expansão da escritura no Reino da Judéia e agora fica claro que estava muito mais estendida do que pensávamos", justificaram.
    Eles destacaram que a organização administrativa de um dos dois reinos israelitas da época requereu um grande número de funcionários e escrevas, "o que fica claro na aparição das inscrições".
    A gravação encontrada sugere que a pessoa em questão era importante e aparentemente proprietária de uma grande fazenda. Segundo os pesquisadores, a descoberta é uma evidência clara da estratificação social e da criação de uma classe poderosa que ocorreu nos tempos de formação do Reino da Judéia.
    Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/jarro-de-3-mil-anos-e-encontrado-com-inscricao-da-era-do-rei-david,89091f9189696df683b42e135727468fe91bRCRD.html

  • 16 de jun de 2015

  • Finalizan construcción del altar para el Tercer Templo



    ISRAEL.- El altar de piedra para elfuturo Tercer Templo de Jerusalén, se ha terminado de construir y está listo para ser usadocuando se presente la oportunidad, según informa la organización judíaInstituto del Templo.

    El altar está hecho de acuerdo al original que existió en el Templo en los tiempos de Jesús. El nuevo altarpodrá ser desglosado y transportado al lugar exacto donde estuvo originalmente en el Monte del Templo.

    La terminación de este altar representa la culminación de más de una década de intenso trabajo de investigación, estudio y experimentación sobre la metodología y aspectos técnicos de los requisitos bíblicos del altar de piedra.

    El Instituto del Templo aclara que el altar se terminó a finales del 2014 y fue construido según losrequisitos bíblicos. Su tamaño representa las mínimas dimensiones requeridas para un altar válido y funcional. El esquema arquitectónico para el altar fue redactado por Shmuel Balzam, el mismo arquitecto famoso que está elaborando actualmente los planos el Santuario del santo Templo.

    El altar es un componente fundamental para el servicio de sacrificio bíblico. De hecho, no había altares separados para el incienso y para otros sacrificios.

    El altar mayor estaba en el patio exterior del Tabernáculo, y más tarde en el Templo. Eran aproximadamente las cinco metros (16 pies) de altura y 16 metros (52,5 pies) de ancho y una rampa.

    "La profecía del fin de los tiempos no puede cumplirse sin la reconstrucción del Templo en Jerusalén", dice uno de los estudiosos de las profecías bíblicas. "La abominación de la desolación profetizada en Daniel y en los Evangelios, deben tener lugar dentro del recinto del Templo. Así, también, el apóstol Pablo habla de 'el hombre de pecado', o el Anticristo, sentado en el Templo de Dios". 

    Fuente: http://www.acontecercristiano.net/2015/03/finalizan-construccion-del-altar-para.html

  • 15 de jun de 2015

  • Prisão é maior vacina contra corrupção, diz juiz que julgará Petrobras nos EUA


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      Juiz Jed Rakoff esteve nos holofotes por se posicionar sobre o papel de bancos e órgãos reguladores na crise financeira, entre outros casos de destaque
      Juiz Jed Rakoff esteve nos holofotes por se posicionar sobre o papel de bancos e órgãos reguladores na crise financeira, entre outros casos de destaque
    Quando Minerva Rodriguez teve a palavra no julgamento dos homens que haviam torturado e assassinado seu filho em Nova York, o juiz Jed Rakoff se lembrou de seu próprio irmão mais velho, morto a pauladas dentro de casa, nas Filipinas, em 1985.

    "Estava praticamente em prantos quando ela falou", conta Rakoff à BBC Brasil. "Sabia exatamente o que ela estava sentindo."

    Rodriguez esperava que os algozes de seu filho fossem executados, mas, numa decisão que reverberaria bem além daquele julgamento, Rakoff considerou que a aplicação da pena de morte era inconstitucional nos Estados Unidos.

    "Foi a (decisão) mais difícil para mim, porque eu era a favor da pena de morte quando meu irmão foi assassinado", diz o juiz, hoje responsável pela ação que tramita na Justiça americana contra a Petrobras.

    A sentença acabou anulada por uma corte superior naquele mesmo ano (2002), mas sua posição faria dele uma das figuras mais destacadas no Judiciário americano.

    Rakoff recebeu a BBC Brasil em sua sala na última sexta-feira com a ressalva de que não poderia falar sobre o caso da Petrobras, já que o código de conduta dos juízes os proíbe de comentar processos em curso.

    A ação contra a empresa abarca todos os acionistas que compraram papéis emitidos pela companhia nos Estados Unidos entre 2010 e 2014. Segundo a acusação, a Petrobras divulgou informações falsas sobre suas operações e omitiu denúncias de corrupção, que vieram à tona com a operação Lava Jato.

    Também são réus no processo 13 executivos da estatal, entre os quais seus ex-presidentes Graça Foster e José Sérgio Gabrielli, 15 bancos que coordenaram as emissões de papéis da empresa, duas subsidiárias e a consultoria PwC.

    Mortos inocentados

    Rakoff atribui a mudança de sua posição sobre a pena de morte a estudos de DNA que comprovaram a inocência de centenas de pessoas executadas nos Estados Unidos.

    Ele argumenta que jamais as cortes deveriam se fechar a provas que inocentem os presos, e executá-los os priva desse direito.

    Rakoff voltaria aos holofotes quase uma década depois ao se posicionar sobre o papel de bancos e órgãos reguladores na crise financeira que assolou a economia americana entre 2007 e 2008.

    Em dois casos emblemáticos, o juiz se recusou a aceitar acordos firmados entre a SEC (órgão que regula os mercados de capitais nos Estados Unidos) e bancos acusados de fraudes que teriam contribuído para a crise, o Bank of America e o Citigroup.

    Pelos acordos, os bancos se comprometiam a pagar multas milionárias à SEC, que em troca retiraria suas acusações contra as instituições. Rakoff avaliou que os arranjos não atendiam ao interesse público, pois livravam os bancos de assumir a culpa e impediam que detalhes das violações fossem conhecidos.

    A posição fez com que vários veículos - entre os quais a revista Rolling Stone e o diário britânico Financial Times - descrevessem o juiz como "herói". Em 2014, a revista Fortune incluiu Rakoff na sua lista dos 50 maiores líderes globais por sua "postura corajosa" diante de Wall Street.

    Fraque e cartola

    Artigos que elogiam Rakoff ocupam as paredes de seu escritório na corte do Distrito Sul de Nova York. O edifício, parte de um complexo do Judiciário em estilo neoclássico, fica a poucas quadras de Chinatown e Little Italy, tradicionais bairros de imigrantes chineses e italianos.

    Ao lado dos artigos, foram penduradas fotos de assistentes e parentes do juiz - casado, pai de três filhas e avô de um menino de um ano. Em alguns retratos, Rakoff, de 71 anos, posa de fraque e cartola ao lado da mulher em bailes dançantes.

    Na mesa de sua antessala, há livros sobre os Yankees, time de beisebol de Nova York, uma biografia do político democrata Daniel Patrick Moynihan (1927-2003) e um boneco do juiz com um imenso martelo nas mãos.

    Nascido na Filadélfia numa família de classe média, Rakoff graduou-se em literatura inglesa, fez mestrado em Oxford, na Inglaterra, e doutorado na Universidade de Harvard. Começou a carreira como advogado e, em 1971, realizou sua única viagem ao Brasil, a trabalho. Ele tinha reuniões em São Paulo, de onde não gostou muito, e tirou alguns dias de folga no Rio.

    "Aproveitei tanto o Rio e fiquei tão impressionado com sua vibração que a memória continua vívida na minha mente", ele conta.

    Em 1988, tornou-se professor adjunto de direito na Universidade Columbia, em Nova York. Ele trabalhou ainda como procurador e, em 1996, foi nomeado juiz federal pelo então presidente Bill Clinton.

    Corrupção no exterior

    Boneco do juiz com imenso martelo nas mãos é um dos objetos em seu gabinete

    Em sua sala com vista para os arranha-céus do sul da ilha de Manhattan, Rakoff se refere a outro caso de repercussão internacional nas mãos da Justiça federal em Nova York: as denúncias de corrupção na Fifa.

    Ele afirma, brincando, ter ficado "muito chateado" que o processo não tenha sido registrado na corte em que atua, mas sim no distrito judicial vizinho, no Brooklyn. O Departamento de Justiça americano investiga funcionários da federação por suspeitas de extorsão, fraudes financeiras e lavagem de dinheiro.

    Segundo a acusação, os envolvidos usaram bancos sediados nos Estados Unidos em suas transações, o que legitima o envolvimento de autoridades americanas.

    Rakoff diz não poder opinar sobre o caso, mas comenta a crítica - evocada quando a operação contra a Fifa foi deflagrada - de que os Estados Unidos buscam vantagens econômicas e políticas ao processar empresas e agentes estrangeiros por violações praticadas no exterior.

    Rakoff diz que a Suprema Corte vem restringindo as ocasiões em que a Justiça americana pode julgar episódios ocorridos fora do país - "o que não significa", afirma o juiz, "que não vamos processar quando há alguma atividade significativa nos Estados Unidos ou envolvendo, ao menos em parte, americanos".

    Ele diz que, ao tratar de casos com implicações no exterior, os juízes americanos devem ter "sensibilidade sobre culturas e sistemas legais diferentes". "Nenhum país deveria achar que tem o monopólio da justiça ou da moralidade."

    Ainda assim, diz aprovar a possibilidade de que a Justiça americana processe empresas estrangeiras por atos de corrupção cometidos fora das fronteiras do país. A legislação americana sobre o tema - o Ato de Práticas Corruptas Estrangeiras, de 1977 - foi uma iniciativa pioneira e acabou copiada por vários outros países, afirma o juiz.

    "Se os Estados Unidos não tivessem intervindo aí, ninguém teria", diz Rakoff.

    Linha dura contra executivos

    Com a visibilidade que ganhou por sua atuação nos casos sobre a crise financeira, o juiz passou a receber convites frequentes para palestras e se tornou colaborador regular da revista The New York Review of Books. No título de um artigo sobre a crise publicado no ano passado, ele questionou: "Por que nenhum alto executivo foi processado?"

    Rakoff citou, entre os motivos, a redução de recursos e de agentes especializados em crimes financeiro depois do 11 de Setembro, quando o país se voltou ao combate do terrorismo.

    Após a crise, Rakoff diz que o setor financeiro ganhou mais atenção e verbas. Mesmo assim, lamenta a postura que o governo e órgãos reguladores adotaram diante das denúncias de fraudes naquela época.

    Processo que corre na Justiça dos EUA acusa Petrobras de divulgar informações falsas sobre suas operações e omitir denúncias de corrupção

    "Eu temo que a mensagem passada a um banqueiro, a um executivo que cogite driblar a lei tenha sido: 'você não precisa se preocupar com cadeia. Se o pior acontecer e te pegarem, vão só multar sua companhia'."

    Segundo Rakoff, multas "entram no custo de fazer negócios" das empresas, prejudicam funcionários e pequenos acionistas inocentes e, quando aplicadas a executivos, são normalmente pagas por seguradoras.

    Por isso, o juiz diz que prender é o maior antídoto contra a corrupção em grandes companhias e no setor público.

    "Quando era advogado, meus clientes ficavam felizes em pagar quanto dinheiro fosse pra evitar um único dia na cadeia. E também todos eles temem, ainda que isso seja improvável nas prisões para onde vão, estupros homossexuais."
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    Veja o que o governo poderia fazer com dinheiro recuperado da corrupção desde 20106 fotos

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    Como dinheiro recuperado pela AGU (Advocacia-Geral da União) entre 2010 e 2014, seria possível construir 15,7 mil casas populares com valor médio de R$ 76 mil. Desde 2010, a AGU conseguiu recuperar R$ 1,2 bilhão referentes a crimes de corrupção e improbidade administrativa Leia mais Divulgação

    Admiradores e desafetos

    As decisões e os artigos de Rakoff o tornaram uma das principais vozes no debate jurídico nos EUA, diz Daniel Richman, professor de direito e colega de Rakoff em Columbia.

    "Ele é certamente um dos juristas mais instigantes nas cortes atualmente", afirma o professor.

    Sua atuação também lhe rendeu desafetos. No The Robing Room, site em que advogados trocam impressões sobre juízes, ele é tachado de "autoritário" e "insensível" em algumas avaliações.

    "Ele se decide muito rápido", diz à BBC Brasil um advogado de Nova York que não quis ser identificado. "Exige pontualidade e cobra advogados por atrasos publicamente, mas os deixa à espera por longos períodos sem dar explicações nem se desculpar".

    Críticos do juiz costumam ainda dizer que ele se porta como um "ativista" na corte e que suas posturas são "populistas".

    Sorridente, Rakoff rebate: "Não saberia que estou realizando um bom trabalho se não houvesse pessoas dizendo que estou errado".

    Ele rejeita o argumento, citado por alguns de seus críticos, de que teria uma inclinação a decidir contra grandes empresas. "Os Estados Unidos têm sorte de ter um sistema vibrante de livre iniciativa e, comparando com economias socialistas, estamos numa situação muito melhor".

    Segundo ele, salvo por algumas "maçãs podres", "as empresas americanas - e muitas europeias, sul-americanas - querem ganhar dinheiro, mas honestamente".

    Afirma ainda que, embora fique "lisonjeado" com os elogios na imprensa a seu trabalho, não se deixa influenciar por eles.

    "A primeira coisa que se aprende como juiz é que você comete erros o tempo todo".
    Segundo Rakoff, multas "entram no custo" das empresas, prejudicam funcionários e pequenos acionistas inocentes e, quando aplicadas a executivos, são normalmente pagas por seguradoras

    Segundo Rakoff, os juízes atuam num universo em constante mutação: decisões que parecem acertadas hoje podem se mostrar equivocadas amanhã.

    Ele diz acreditar, aliás, que sua posição sobre a inconstitucionalidade da pena da morte acabará chancelada pela Suprema Corte no futuro.

    Rakoff afirma que sua visão sobre o tema é inspirada na postura de Gandhi (1869-1948), líder nacional indiano cuja trajetória o juiz estudou em Oxford.

    "As pessoas pensam nele como um santo, mas, na verdade, ele não só era humano como, pior, era um advogado", diz, aos risos.

    Segundo o juiz, Gandhi foi o grande mentor dos movimentos de desobediência civil que se popularizariam mundo afora e, nos EUA, tiveram o pastor e ativista negro Martin Luther King Jr. (1929-1968) como principal expoente.

    Para Rakoff, o líder indiano foi original ao buscar que as leis fossem mudadas sem, com isso, rejeitar o Estado de Direito.

    "A desobediência civil, de uma maneira engraçada, pressupõe um certo respeito pela lei", diz o juiz. "Ela prega: 'vamos desobedecer, mas vamos sofrer as consequências legais, não vamos fugir'."

    Por isso, diz Rakoff, "quando alguém me diz que 'a lei sempre foi assim', isso para mim não é a questão final. A lei muda, a lei progride, e você tem de olhar para os efeitos práticos antes de decidir."
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    O que daria para fazer com os R$ 6,2 bi desviados da Petrobras?9 fotos

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    Em seu balanço de 2014, a Petrobras estimou em R$ 6,2 bilhões as perdas com pagamentos indevidos descobertos pelas investigações da operação Lava Jato, da Polícia Federal. Clique nas imagens acima para saber o que daria para fazer com essa quantia Arte/UOL
    Via UOL

  • Art. 5°, CF

    VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

    IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

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